A reabilitação mantém trabalho, mas perde entrada de projetos

Construção

Publicado na Edição 5 — Construir sob pressão

A reabilitação mantém trabalho, mas perde entrada de projetos

A carteira de encomendas cresce, mas o licenciamento de intervenções no edificado existente continua a recuar.

A atividade de reabilitação urbana aumentou apenas 0,8% em julho. No primeiro semestre de 2026 foram licenciadas 2.960 obras de reabilitação, menos 12,5% do que no período homólogo.

O custo não recuou: apenas cresceu menosEdição 5 — Construir sob pressãoLer a publicação completa

Atividade positiva, crescimento reduzido

Os indicadores da reabilitação urbana mantiveram uma evolução positiva em julho de 2026, mas com um abrandamento significativo. O índice do nível de atividade cresceu 0,8% face ao mesmo mês do ano anterior, enquanto a carteira de encomendas aumentou 6,9%. As empresas declararam, em média, 8,7 meses de produção contratada, ligeiramente abaixo dos nove meses registados um ano antes. (reportugal.vidaimobiliaria.com)

A existência de encomendas asseguradas oferece alguma estabilidade às empresas. O dado mais frágil surge a montante. No primeiro semestre foram licenciadas 2.960 obras de reabilitação, menos 12,5% do que no mesmo período de 2025. A redução foi de 10,8% nos edifícios residenciais e de 15,2% nos não residenciais. (reportugal.vidaimobiliaria.com)

As estatísticas de licenciamento não abrangem todas as intervenções, porque determinadas obras podem não estar sujeitas ao mesmo tipo de controlo prévio municipal. Ainda assim, a tendência sugere uma entrada mais lenta de novos projetos formais, num momento em que grande parte do parque edificado exige atualização funcional, energética e estrutural.

Reabilitar é produzir oferta existente

A reabilitação não substitui integralmente a construção nova, mas permite recuperar edifícios vazios, adaptar tipologias e prolongar a vida útil de estruturas e materiais já incorporados. Em centros urbanos consolidados, é também uma das poucas formas de aumentar a utilização residencial sem consumir novo solo.

O processo tem, porém, incertezas específicas. O estado real da construção pode revelar-se apenas durante a obra. Património, acessibilidades, segurança contra incêndio, acústica e desempenho térmico exigem compatibilizações complexas. Quando os custos dos materiais e da mão de obra estão a subir, esta incerteza torna mais difícil fechar orçamentos e garantir financiamento.

A redução das licenças pode ainda refletir proprietários que adiam decisões, investidores que reavaliam a viabilidade ou processos municipais mais prolongados. Cada causa requer uma resposta diferente. Simplificar procedimentos não substitui projeto e fiscalização; incentivar investimento não dispensa critérios de qualidade; conservar património não significa impedir a adaptação a novos usos.

Evitar uma quebra futura

A diferença entre a carteira atual e o licenciamento recente merece acompanhamento. As empresas podem manter atividade através de contratos já celebrados enquanto diminui o número de projetos que alimentará os meses seguintes. Se a tendência persistir, o abrandamento poderá tornar-se mais visível após a conclusão das obras em curso.

Para Lisboa e os centros urbanos da Margem Sul e do Vale do Tejo, a reabilitação continua a ser uma política de habitação, ambiente e qualidade urbana. A sua importância não deve ser medida apenas pelo volume de obra. Cada edifício recuperado pode devolver uso a uma rua, reduzir consumos, preservar recursos e evitar expansão desnecessária. O desafio é criar previsibilidade suficiente para que essa intervenção aconteça sem reduzir a exigência técnica.

Fontes consultadas

Instituto Nacional de Estatística (INE) · Vida Imobiliária · AICCOPN

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