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Construção

Publicado na Edição 5 — Construir sob pressão

Mais capacidade, menos edifícios

O emprego no setor atingiu o valor mais elevado desde 2011, mas o número de edifícios licenciados e concluídos voltou a diminuir.

A construção emprega mais pessoas e recebe mais financiamento, mas estes sinais de atividade ainda não se traduzem num crescimento equivalente da oferta. No segundo trimestre de 2026, recuaram tanto o licenciamento como a conclusão de edifícios.

O custo não recuou: apenas cresceu menosEdição 5 — Construir sob pressãoLer a publicação completa

Um setor em expansão desigual

A construção portuguesa chegou ao segundo trimestre de 2026 com 400,4 mil trabalhadores, o valor mais elevado desde 2011. O emprego no setor cresceu 11,2% face ao mesmo período do ano anterior, acima da evolução registada no conjunto da economia. Também o financiamento aumentou: no primeiro semestre, os novos créditos destinados à aquisição de habitação, excluindo renegociações, atingiram 12.153 milhões de euros. Em julho, o crédito às empresas da construção e das atividades imobiliárias apresentava igualmente uma subida homóloga. (aiccopn.pt)

Estes indicadores descrevem um setor com mais pessoas e maior disponibilidade financeira. Não significam, porém, que esteja a chegar mais construção ao mercado. No segundo trimestre de 2026 foram licenciados cerca de 6,2 mil edifícios, menos 7,1% do que um ano antes. As obras concluídas diminuíram 4,2%. No conjunto do primeiro semestre, o número de edifícios licenciados ficou 8,4% abaixo do período homólogo. (idealista.pt)

A diferença entre edifícios e fogos

A leitura exige uma distinção. Apesar da redução no número total de edifícios, os fogos licenciados em construções novas para habitação familiar aumentaram 10,8% no segundo trimestre. Os fogos concluídos cresceram 11,6%. É possível, portanto, estar a licenciar menos edifícios e, simultaneamente, mais unidades habitacionais — por exemplo, através de operações de maior dimensão ou densidade. (webinq.ine.pt)

Ainda assim, esta evolução não resolve automaticamente o problema da oferta. Entre o licenciamento, a contratação, a execução e a entrada efetiva de uma casa no mercado existe um intervalo condicionado por custos, capacidade técnica, disponibilidade de terrenos infraestruturados e procedimentos administrativos. A subida do emprego demonstra capacidade de mobilização, mas a redução dos edifícios licenciados antecipa uma possível fragilidade na carteira futura.

O indicador decisivo

Para quem compra, habita ou investe, o dado central não é apenas a atividade do setor, mas a quantidade, localização, tipologia e preço das casas que chegam a utilização. A construção pode crescer em emprego e financiamento sem produzir uma resposta habitacional proporcional, sobretudo quando parte da capacidade é absorvida por infraestruturas, equipamentos, turismo ou segmentos residenciais com acesso restrito.

O segundo trimestre mostra, assim, uma economia da construção ativa, mas sujeita a uma conversão incompleta entre recursos e oferta. A pressão sobre a habitação será reduzida apenas quando o aumento de capacidade se refletir de forma continuada em projetos licenciados, obras executadas e casas adequadas aos rendimentos e às necessidades dos territórios.

Fontes consultadas

Instituto Nacional de Estatística (INE) · Idealista News · AICCOPN

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