O custo não recuou: apenas cresceu menos

Construção

Publicado na Edição 5 — Construir sob pressão

O custo não recuou: apenas cresceu menos

Materiais e mão de obra continuam a encarecer a habitação nova, mesmo com uma ligeira desaceleração mensal.

Em julho, os custos de construção de habitação nova aumentaram 6,8% em termos homólogos. A mão de obra subiu 7,3% e os materiais 6,3%, mantendo pressão sobre orçamentos, contratos e preços finais.

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Uma subida distribuída por toda a obra

Os custos de construção de habitação nova aumentaram 6,8% em julho de 2026 face ao mesmo mês do ano anterior. A taxa ficou 0,6 pontos percentuais abaixo da observada em junho, mas a desaceleração não representa uma redução dos custos. Significa apenas que continuaram a crescer a um ritmo ligeiramente inferior. Os materiais aumentaram 6,3% e a mão de obra 7,3%. (idealista.pt)

Esta distinção é relevante para a leitura do mercado. Quando o crescimento abranda, um orçamento não regressa aos valores anteriores. A nova base de custos mantém-se e continua a afetar projetos ainda em desenvolvimento, empreitadas em contratação e obras cuja margem financeira foi definida antes da atualização de preços.

O efeito nos projetos

O aumento da mão de obra ocorre num contexto de crescimento do emprego no setor. A entrada de mais trabalhadores melhora a capacidade de execução, mas não elimina a pressão associada à procura de competências, à especialização e à organização dos estaleiros. Nos materiais, a subida atravessa diferentes componentes da construção e obriga a rever soluções, fornecedores e calendários de aquisição. (aiccopn.pt)

Para os promotores, esta evolução pode reduzir a margem disponível para absorver imprevistos ou financiar elementos que não sejam estritamente obrigatórios. Para os projetistas, aumenta o risco de decisões tomadas apenas pelo custo inicial, em detrimento do desempenho durante a vida útil. Para os compradores, parte da pressão pode surgir no preço de venda, nas condições de pagamento ou na redução da área e do nível de equipamento.

Uma resposta baseada exclusivamente na substituição por soluções mais baratas pode criar custos posteriores. Menos isolamento, sistemas de manutenção complexa ou materiais com menor durabilidade transferem encargos para a utilização do edifício. A disciplina orçamental deve, por isso, distinguir o que pode ser simplificado do que protege o conforto, a eficiência energética, a segurança e a capacidade de adaptação da habitação.

Projetar o custo total

O atual contexto reforça a importância de integrar projeto, construção e exploração desde as primeiras decisões. A repetição de elementos, a modulação, a redução de desperdício, a contratação antecipada e a escolha de materiais disponíveis localmente podem limitar a exposição a oscilações sem diminuir a qualidade.

Construir sob pressão exige ainda maior precisão. O custo deve ser acompanhado ao longo de todo o processo e não apenas no momento da adjudicação. A análise deve incluir manutenção, consumo energético, reparabilidade e duração prevista dos componentes. Quando materiais e trabalho sobem simultaneamente, a eficiência deixa de ser apenas uma opção técnica: passa a ser uma condição para preservar a viabilidade económica e a qualidade do espaço construído.

Fontes consultadas

Instituto Nacional de Estatística (INE) · Idealista News · AICCOPN

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