Fotografia fornecida para a edição 08

Construção

Publicado na Edição 8 — Torcata onde o verde percorre a fachada

Uma fachada que ganha vida com quem a habita

Cinco edifícios construídos pela Bento & Matos revelam uma arquitetura de linhas horizontais, pedra clara e varandas vividas.

O projeto de Angelino Gomes, João Fernandes e José Barra encontra identidade na relação entre volumes depurados, varandas contínuas e vegetação.

Capa da edição 8 da MATTERS: Torcata onde o verde percorre a fachadaEdição 8 — Torcata onde o verde percorre a fachadaLer a publicação completa

A intervenção da Bento & Matos na Torcata reúne cinco edifícios residenciais e 50 apartamentos T3, integrados numa urbanização de maior dimensão no Afonsoeiro, Montijo. Concluída em 2017, esta parte do conjunto transforma uma escala residencial significativa numa composição clara, marcada por volumes lineares e fachadas abertas ao espaço exterior.

O projeto de arquitetura é assinado por Angelino Gomes, João Fernandes e José Barra. A proposta organiza os edifícios através de linhas horizontais contínuas, com os vãos recuados e as varandas a prolongarem-se ao longo dos alçados principais. Nos topos, planos mais fechados equilibram a abertura das frentes e ajudam a tornar legível cada volume.

Pedra, profundidade e sombra

O revestimento em pedra natural confere continuidade e permanência às fachadas. O recuo dos vãos cria profundidade, protege parcialmente os interiores da exposição direta e produz sombras que mudam ao longo do dia. A orientação nordeste e sudoeste reforça essa variação de luz entre as diferentes frentes.

A arquitetura estabelece uma ordem comum, mas deixa espaço para a vida quotidiana. Plantas, mobiliário e diferentes formas de ocupar as varandas introduzem diversidade sem apagar a unidade do desenho. A fachada não é apenas a imagem com que o edifício foi concluído; é também aquilo que os moradores foram acrescentando ao longo do tempo.

Uma obra que continua a ganhar identidade

Na Torcata, a relação entre desenho e uso é particularmente visível. As linhas estruturam o conjunto, a pedra unifica-o e a vegetação suaviza a escala. O resultado é uma arquitetura sóbria que permanece reconhecível, mesmo quando cada habitação começa a revelar a presença de quem a ocupa.

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